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BlogsQuarta-feira, 28 de Julho de 2010 às 02:23:06
Constantemente se vê campanhas ou então eventos no sentido de arrecadar alimentos para aquela parcela da população que não tem recursos e precisa se alimentar. Todavia, o problema brasileiro em relação a alimentos não se restringe apenas a falta de comida na mesa de muitos consumidores, mas no desperdício. Logo o Brasil não é um país pobre, mas um país que trata mal seu povo. E o problema não é somente dos governos, mas de uma realidade capaz de possibilitar paradoxo em relação a própria fome de adultos e crianças.
Para se ter uma idéia de como os alimentos são tratados, a cada ano nada menos do que 14 milhões de toneladas de frutas, hortaliças e grãos são simplesmente jogados no lixo. Entretanto, o problema com alimentos no Brasil ocorre em cadeias. Ainda na granja, ou mesmo na horta ou no pomar, cerca de 10% têem como destino o lixo. Já ao transportar os produtos até cidade o prejuízo pode chegar a 50%. O transporte é uma espécie de ralo onde vão se perdendo verduras e frutas ao longo do caminho. Nas centrais de abastecimento da Ceasa as perdas chegam a 30%, enquanto nos supermercados os prejuízos chegam a 10%.
Como se pode verificar se perde muito e por isso que muitas vezes os produtos são caros ou ainda faltam mesmo para quem pode pagar, imagina para quem não pode comprá-los.
Prosseguindo na seara do desperdício, na cidade de São Paulo, mais de l.000 toneladas de produtos alimentícios vão para o lixo todos os dias de feira livres. Falando em feira, as perdas relativamente a frutas vão de 22% a 40%. A menor perda fica com a laranja e as maiores perdas ocorrem com o morango e a banana. Apesar dos prejuízos, tanto nas feiras como nos supermercados as frutas só sofrem redução de preços na safra. Na prática prefere perder do que baixar preços.
Enquanto isso, as perdas com legumes e verduras vão desde 15% até 50%. Os feirantes perdem menos com o chuchu e tem maiores prejuízos com a couve-flor onde o percentual de perda chega a 50%.
Ainda sobre desperdícios, o brasileiro joga mais alimentos no lixo do que consome. Daí que segundo estudos, a comida jogada fora no Brasil daria para um quinto da população brasileira tomar café de manhã, almoçar e jantar. Quando se olha para o prejuízo financeiro a cifra também é significativa, nada menos do que US$2,2bilhões é que se deixa de ganhar apenas com frutas.
As informações aqui abordadas dentre outras, são da Companhia de Entrepostos e Armazéns de São Paulo. Igualmente da Secretaria de Abastecimento e Agricultura de São Paulo e se encontram em matéria publicada pela Revista Galileu n°229 já nas bancas.
Sobre os alimentos, se percebe também a enorme carga tributária, por exemplo no arroz e no feijão o ICMS acumulado pode chegar a 36%, uma vez que há uma cobrança em cascata.
Nada contra as pessoas que gratuitamente trabalham para que outras pessoas não passem fome, agora o problema deve ser atacado no todo e não em parte, uma vez que o tratamento fragmentado tende a contribuir para a permanência do problema, enquanto isso os governos deixam desenvolver reais políticas publicas, na espera que a sociedade encontre soluções.
É preciso incentivar a produção, especialmente a produção regional e local evitando assim os desperdícios de transportes, no caso de legumes e frutas. Quanto a incidência de tributos, isenta-los os alimentos do pagamento de impostos e contribuições, possibilitando que o respectivo incentivo chegue a mesa do consumidor. Da mesma forma, cabe ao governo federal comprar produção tanto de arroz, feijão e carne, a exemplo do que ocorreu no passado. Tal medida possibilitava evitar a alta dos preços, na medida que o governo concorria com seus estoques. Não é dando alimentos ao pobre que iremos resolver os problemas pertinentes a comida, mas possibilitando a ele condições de comprá-la e de evitar desperdício, o qual deve ser tarefa de cada consumidor.
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